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Cachaça (186)

Gastronomia em Foz do Iguaçu

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Gastronomia em Foz do Iguaçu

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Revolta da Cachaça


A produção de cachaça foi uma atividade econômica alternativa frente à crise do açúcar, no século XVII.

No interior do Brasil, a chamada cachaça de engenho atrai o gosto de grandes apreciadores deste tipo de bebida. A população deste produto destilado chegou, em 1994, a ser tombado como um dos patrimônios da cultura brasileira. No entanto, a presente reverência a esta iguaria já foi alvo de uma revolta que tomou a cidade do Rio de Janeiro no século XVII.

Durante o período colonial, o consumo de cachaça aliou-se ao desenvolvimento das primeiras plantações de cana-de-açúcar formadas pelos colonizadores portugueses. Sendo a bebida fruto de um processo manufatureiro, a cachaça brasileira logo se tornou alvo de oposição da administração colonial portuguesa. Isso tudo porque a Coroa queria garantir seus lucros com a venda de uma bebida portuguesa feita a partir do bagaço da uva chamada de bagaceira.

Com a crise do açúcar, ocorrida logo após a expulsão dos holandeses, os produtores de cana não obtinham os mesmos lucros com a produção de açúcar. Dessa maneira, os fazendeiros intensificaram a exploração econômica do produto no interior da colônia. Sentindo-se prejudicado, Portugal reafirmou a proibição no ano de 1659. Os que descumprissem a exigência eram ameaçados com a prisão e o degredo para a África.

Em meio às contradições do pacto colonial, o governador do Rio de Janeiro – um dos maiores centros de produção da cachaça – decidiu liberar a produção dos destilados sob a cobrança de impostos. Insatisfeitos com a cobiça do governo, um grupo de fazendeiros resolveu mobilizar a população contra a imposição governamental. Saindo de São Gonçalo e Niterói, os revoltosos chegaram à cidade para pressionar o governador Tomé Correia de Alvarenga.

Em posse de armas e apoiados pelos solados cariocas, os revoltosos começaram a saquear as residências das autoridades locais. Logo em seguida, escolheram Agostinho Barbalho como novo governador da cidade do Rio de Janeiro. Sem habilidade política suficiente este foi logo substituído por seu irmão, Jerônimo Barbalho. Assumindo o posto de governador, Jerônimo perseguiu os jesuítas e exerceu seu cargo autoritariamente.

Intolerante com o que ocorria em solo carioca, Salvador de Sá, sobrinho do antigo governador fluminense, mobilizou tropas que aniquilaram a revolta. Valendo-se de sua patente de capitão-general, Salvador pediu o envio de tropas vindas da Bahia. Atacando o governo dos revoltosos inesperadamente, as tropas de Salvador de Sá não sofreram nenhum tipo de grande resistência.

Logo depois de reassumir o controle da província do Rio de Janeiro, as tropas fiéis à Coroa Portuguesa instalaram um processo judicial contra os principais líderes da chamada Revolta da Cachaça. Condenado à morte, Jerônimo Barbalho foi enforcado e teve sua cabeça exposta na cidade. A Coroa Portuguesa repudiou o rigor excessivo dirigido contra Barbalho e, desta forma, resolveu censurar o governo de Salvador de Sá.

Em 1661, a Coroa Portuguesa resolveu perdoar todos os envolvidos na revolta e passou a considerar o protesto legítimo. Além disso, o governo lusitano liberou a fabricação da cachaça no país. Tal episódio mostrou a flexibilização da Coroa Portuguesa frente aos conflitos coloniais, o que pôs em xeque o conhecido autoritarismo dos representantes metropolitanos.

Fonte: Brasil Escola

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Software vai monitorar qualidade da cachaça

 

A cachaça produzida no Brasil contém muito mais elementos de não-conformidade do que o olho humano pode identificar ou o paladar detectar. A produção da cachaça de alambique gira em torno de 1,5 bilhão de litros por ano no país, mas menos de 1% é considerada de qualidade.

Para mudar esse cenário, um software deve chegar ao mercado a partir do segundo semestre de 2008, voltado exclusivamente para rastrear todas as etapas da produção e oferecer dados suficientes para melhorar a gestão dos empreendimentos.

A equipe de trabalho é formada por dois especialistas em cachaça, dois mestres em desenvolvimento de sistemas e dois programadores. O software, inédito, está sendo desenvolvido na Bahia a partir de recursos acima de R$ 100 mil, destinados a fundo perdido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

A EQS Informática, empresa que integra a Bahia Digital - Rede Empresarial de Tecnologia da Informação, é a responsável pelo desenvolvimento do sistema. O projeto conta também com a participação das faculdades FTC e FTE, além da expertise da consultoria Agroindustrial BFLM Ltda.

Em todo o país, não existe um software específico para o controle da produção da cachaça. Todos os mecanismos atualmente usados são baseados em planilhas simples ou softwares adaptados. Com a inovação tecnológica em processo de testes, os produtores poderão registrar todos os dados relativos a investimentos, insumos, mão-de-obra, capital de giro, procedimentos técnicos, custos, dentre outros.

Da Agência Sebrae

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Receita de Leitãozinho pururuca a Chapecó

 

A receita ideal de mestre Folle exige carne tenra, forno a lenha, boa prosa e uma batidinha de cachaça com ameixa-de-inverno para acompanhar

Texto Sebastião Nascimento *
Fotos Ernesto de Souza

O porquinho é servido triscando. O segredo, segundo o cozinheiro (à dir.), é o controle da temperatura

Quando se fala em leitãozinho assado na região de Chapecó, no oeste catarinense, o nome Folle vem imediatamente à lembrança de grande parte da população. Há outros leitões saborosos preparados por lá, mas a diferença está na paciência e no esmero que Antonio Folle, 59 anos, um descendente de italianos vindos de Vicenza, dedica aos três tipos de pratos à base de leitão, assados em forno a lenha em sua casa de eventos: o original light Chapecó, que é o mais requisitado; o recheado light, com mandioca, queijo e bacon; e, finalmente, o light à pizza, que leva muito molho vermelho, queijo e orégano. 'Coloco amor naquilo que faço, além de dedicar capricho igual ao pedido feito por uma pessoa, uma família ou por grandes empresas que promovem eventos aqui em nosso espaço', diz Folle.

Está enganado quem imagina o 'espaço' citado por ele como sofisticado e caro. O cozinheiro acolhe seus clientes num barracão imenso e rústico, feito de madeira e com capacidade para 400 pessoas. Seu restaurante, situado nas franjas da cidade, é o preferido de dez entre dez casais de noivos para a festa de casamento. 'Era um sítio, porém, o perímetro urbano se espraiou demais', diz Folle. Ele trabalha com seis fornos, e 20 leitões podem ser assados de uma só vez. Os bichos pesam de 15 a 35 quilos, mas os de carne mais apetitosa, segundo ele, são os que têm mais de 23 quilos. Para o repórter e o fotógrafo de Globo Rural, acompanhados por amigos da Cooperativa Aurora, outro fruto original da terra, foi servido um leitão de 18 quilos.

Folle divide o trabalho com a esposa, Dione, conhecida como Dona Xepa devido à fineza com que prepara os quitutes italianos que completam o cardápio da casa, e o filho Tiago, 27 anos, que deixou de lado um emprego urbano de nove anos e virou o braço direito do pai. Ele é tão generoso quanto Folle. Perde, no entanto, na prosa. Folle, nascido na roça em Chapecó, já teve granja de suínos, aviário e toca seu negócio em regime integral desde o ano de 1999. No início, era um solitário forno, mas o pururuca ganhou fama e tornou-se lucrativo com a expansão da freguesia.

E o couro do leitãozinho realmente trisca nos dentes. O tipo Chapecó, que é o mais requisitado pelos frequentadores assíduos, repousa 24 horas na salmoura com tempero de salsa, cebola, alho e suco de limão à farta. Só depois dá entrada no forno. Folle diz que não tem receio de exagerar na salmoura, pois o leilão só absorve o necessário. 'A carne nunca fica muito salgada', diz. Explica ainda que, quanto mais limão usa, mais pururuca se torna o leitão. 'Além disso, bastante limão ajuda a retirar a gordura', acrescenta. O cozinheiro diz que para assar um animal de 18 quilos são gastas entre três horas e meia e quatro horas de forno. 'A temperatura eu vou controlando a cada passo', revela Folle. É um de seus poucos segredos.

Na última passagem de ano, o trabalho foi árduo e longo. A família Folle entregou mais de 50 leitõezinhos, um número excelente, se for considerado o preparo artesanal. Não houve tempo para Dona Xepa piscar, já que a procura pelos preparados da Itália engrossou. 'Foi lazanha, macarrão com galinha caipira, tortelli e polenta. O que saiu demais foi a fortaia, à base de salame, queijo frito, cebola e ovos, ingredientes que vão juntos para a frigideira e espalham recordações', afirma Folle. O sangue italiano está presente numa grande parte da população de Chapecó, seja no campo ou na cidade.

Mas é hora de comer o leitão que Folle e seu filho Tiago servem, - e que chega estalando de tão pururuca. A combinação é com arroz, salada de tomate e rúcula, mais farofa. Perfeita. Há ainda lazanha da lavra de Dona Xepa. Mas espere, leitor, pois lá vem o sorridente Folle com três garrafas coloridas debaixo dos braços. São batidas de cachaça da terra com butiá (fruta da região), jabuticaba e ameixa-de-inverno. 'Elas ficam no repouso durante 20 dias para ser curtidas', conta o cozinheiro. Todas foram provadas, é claro, e de forma unânime a escolhida foi a de ameixa-de-inverno. A pegada poderosa da cachaça cede um pouco, e o sabor suave da fruta equilibra a bebida. Essa batida deliciosa é também a mais admirada por nosso anfitrião.

'O segredo do sucesso do meu pai é que ele se considera um eterno aprendiz. Isso e o fato de trabalhar com o que mais gosta', afirma o filho Tiago. Ele irá substituir o 'velho' Folle nas rédeas do negócio. 'Daqui a muitos anos. Voltei para ficar', diz.

As receitas de pururuca de mestre Folle são aprovadas por dez entre dez clientes

LEITÃO ORIGINAL CHAPECÓ (18 quilos)
(Serve 10 pessoas | Preparo: de 3,5 a 4 horas | Dificuldade: média

Ingredientes
- Salsa à vontade
- 2 cebolas-de-cabeça
- 2 cabeças grandes de alho
- Bastante suco de limão
- Muito sal

Como fazer
Desossar o leitão e mergulhá-lo na salmoura durante 24 horas. No caso do leitão de 18 quilos, o ideal é mantê-lo no forno por um tempo que varia de três horas e meia a quatro horas. Feito artesanalmente, é fundamental que o leitão a Chapecó seja assado sob acompanhamento vigilante e constante.

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Nomes a torto e a direito

 

TEXTO JOSÉ AUGUSTO BEZERRA
FOTOS ERNESTO DE SOUZA

Rio, cachaça especial para os franceses acondicionada em garrafa francesa

Um dos símbolos da brasilidade, ao lado do café, do samba, do carnaval, da feijoada e do futebol (ainda são esses!), a cachaça foi a primeira bebida destilada na América Latina. De acordo com historiadores, a capitania de São Vicente, no atual estado de São Paulo, foi pioneira na produção da bebida, entre 1530 e 1550, embora alguns pernambucanos reivindiquem a primazia na destilação. Em 1584, antes que os ingleses começassem a fabricar rum no Caribe, já existiam pelo menos oito 'casas de cozer méis'. Também há controvérsia sobre a origem da palavra. Há quem diga que veio de Portugual ou da Espanha. Um verso do século 16, do poeta português Sá Miranda, diz: 'Ali não mordia a graça/eram iguais os juízes/não vinha nada da praça/ali, da vossa cachaça/ali, das vossas perdizes'.

Se a infância da bebida foi obscura, a maioridade foi pródiga em nomeações. Os dicionários listam centenas de sinônimos, boa parte dos quais provavelmente inventados após sabe-se lá quantas talagadas, quando o cidadão geralmente tonteia e passa a conversar com a garrafa: abrideira, água-que-passarinho-não-bebe, aguardente, arrebenta-peito, bagaceira, baronesa, branquinha, caninha, canjibrina, danada, dengosa, dindinha, engasga-gato, januária, lindinha, mardita, marvada, mata-bicho, meu-consolo, morretiana, parati, perigosa, pinga, purinha, quebra-goela, teimosa, tiúba, uca, zuniga. O consumo per capita de destilados no mundo é de 2,2 litros. O de cachaça no Brasil é de 11 litros. Haja santo.

 

Fonte: Globo Rural

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Cachaças artesanais nos Estates

 

Mas o NYT comenta que há um crescente interesse nos Estados Unidos por cachaças artesanais, envelhecidas em tonéis de madeira.

“As cachaças envelhecidas, que normalmente passam ao menos um ano em tonéis de madeira, representam ainda apenas uma pequena fração do mercado total de cachaça nos Estados Unidos”, diz o jornal. “Mas a demanda está crescendo.”

A reportagem comenta que mesmo no Brasil o gosto pela cachaça como bebida fina também é uma novidade. “Apesar de a cachaça existir desde o século 16, somente na última década que as marcas mais finas se tornaram populares”, diz o texto.

Antônio Rocha, produtor da cachaça Rochinha, no Estado do Rio de Janeiro, comenta ao jornal que “até os anos 1990, a cachaça não tinha nenhum valor”. “As cachaças que vendiam bem eram as anunciadas; as de qualidade não eram anunciadas e dependiam só do boca-a-boca”, diz.

Para um importador citado pela reportagem, o mercado da cachaça “ainda está em sua infância”. “O que a cachaça pode mostrar ao mundo é uma variedade de sabores que não está disponível em nenhum outro aguardente”, diz o importador.

Do G1

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'Sedução da cachaça' se espalha pelos EUA, diz 'New York Times'

 

O gosto pela cachaça vem se espalhando pelos Estados Unidos, afirma reportagem publicada nesta quarta-feira pelo diário americano The New York Times.

Segundo o jornal, as importações do produto brasileiro cresceram de menos de 100 mil litros em 1998 para 213 mil litros em 2002 e 647 mil litros em 2007.

A reportagem observa que as duas marcas que dominam o mercado, Pitú e 51, são produzidas em escala industrial e comercializadas nos Estados Unidos por até cinco vezes seu preço de venda no Brasil, “onde elas custam pouco mais do que uma garrafa de água e são pouco respeitadas”.

O texto, que traz uma orientação sobre como pronunciar o nome da bebida (ka-SHA-sas), comenta que os americanos que já experimentaram o aguardente provavelmente o fizeram como parte de uma capirinha (kye-peer-EEN-yahs, orienta o jornal).

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Sangue, suor e algumas doses

 

TEXTO JOSÉ AUGUSTO BEZERRA
FOTOS ERNESTO DE SOUZA

Gravura de Theodore de Bry, mostrando trabalhos em engenho de cana-de-açúcar

Conta-se que, antes dos embates corpo-a-corpo do passado, os soldados tomavam 'januária cum pórva' para criar coragem. Naturalmente, ninguém recomenda ingerir bebida alcoólica nem, óbviamente, pólvora. A ciência já provou que pode fazer mal à saúde, principalmente àquele que bebe muito ou amiúde buscando forças para superar dificuldades ou esquecer aquela ingrata que o amava e o abandonou. Diz-se, em Minas Gerais, berço de várias das melhores cachaças do país, que 'tudo que é demais é muito'.

Cachaça não é solução. Não resolve as mazelas sociais, embora venha sendo usada como 'mata-fome' pelas populações mais pobres desde os tempos do império. Barata, de fácil produção, tornou-se tão importante, política e economicamente, que chegou a ser proibida pelos colonizadores para não prejudicar as vendas da bagaceira - aguardente portuguesa feita de bagaço de uva. Da senzala, ganhou terreiros, quermesses e salões, popularizando-se rapidamente Brasil afora.

Seu momento de glória ocorreu no século 19, durante as lutas pela independência do país, quando beber vinho era aliar-se ao opressor. Pela primeira vez, os brasileiros assumiram-se como Nação e passaram a brindar seus feitos com 'aguardente da terra'. Mais tarde, já na República, o sentimento de brasilidade refluiu, a população passou a achar as coisas de fora melhores do que as nossas e a cachaça desandou, ganhando novo alento apenas durante a Semana de 22, quanto se tornou símbolo de insubmissão à cultura européia. Agora, voltou a ser bem vista e apreciada em todo lugar. Madura, virou bebida sofisticada e cara. Coisa fina.

Fonte: Globo Rural

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Marvada chique

 

Terceiro destilado mais vendido no mundo, a bebida afirma-se como produto fino, conquistando paladares, corações e mentes entre consumidores de alto poder aquisitivo no Brasil e no exterior

TEXTO JOSÉ AUGUSTO BEZERRA
FOTOS ERNESTO DE SOUZA

Dois caipiras, prontos para a tão esperada pescaria, encontram-se no local combinado:
- Então cumpade, tá animado? - pergunta um deles.
- Tô -, responde o outro. E complementa: ô cumpade, pra quê tá carregano dois embornal?
- É que tô levano uma pingazinha...
- Pinga? Mas nóis num tinha acertado na última vez que num ia bebê mais?!
- Tinha, mas pode aparecê uma cobra e picá a gente. Aí nóis desinfeta com a pinga e toma uns gole prá mode num sintí dor.
- Tem razão! E na outra sacola, o que tá levano?
- É a cobra, cumpade. Pode num tê por lá...

A 'marvada'tem tanta serventia quanto nomes para identificá-la. Centenas. Presta-se até para desculpas esfarrapadas como a do 'cumpade' citado ao lado, matreiro como ele só. Para a maioria dos pescadores, cachaça é festa. Afinal - perguntam -, quem nunca riu de piada de bêbado nem tropicou pelas barrancas da vida ao menos uma vez? É remédio. Em muitos recantos do país ainda é usada contra picada de cobra, em assaduras, no tratamento da gripe, misturada com mel e limão, e doenças como malária, sífilis e reumatismo, diluída em ervas. A medicina popular assegura que, no frio, a danada aquece; no calor, refresca. Serve para mitigar a tristeza nas desilusões amorosas, celebrar datas e feitos, brindar o sucesso de uma empreitada, abrir o apetite antes das refeições ou enganar a fome na falta dela, animar os tímidos e encorajar os fracos. Cachaça é hábito desde os tempos coloniais, quando era dada aos escravos para mantê-los trabalhando. É vício lascado, como já cantava o repentista nordestino: 'suco de cana-caiana/passado nos alambique/pode sê qui prejudique/mas bebo toda sumana'. À parte os malefícios, é história, cultura, tradição. Está intimamente relacionada à ocupação do território brasileiro, ao desenvolvimento econômico durante os ciclos do açúcar, do ouro e do diamante, às manifestações populares e movimentos de libertação do país do jugo português. Associada comumente à indolência, também significa trabalho. Segundo dados do PBDAC - Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Cachaça, existem 40 mil produtores em atividade no país e cinco mil marcas à disposição dos consumidores. No total, o setor gera 450 mil empregos diretos e quase um milhão de indiretos, a maioria em pequenas propriedades. 'Onde tem cana, tem caninha; onde não tem, também tem', diria provavelmente o 'cumpade pescador'.
DIVULGAÇÃO
        
Alambique de cobre, descarte da cabeça da cachaça e prova do coração da bebida, para avaliar qualidade

Cachaça é a segunda bebida mais consumida no país, atrás apenas da cerveja. No ano passado, o Brasil produziu 1,3 bilhão de litros, dos quais 300 milhões de alambique, faturando o equivalente a 500 milhões de dólares. Este ano, segundo estimativas da Fenaca - Federação das Associações de Produtores de Cachaça de Alambique, a indústria deve destilar 1,1 bilhão de litros e os produtores artesanais, 400 milhões. Não se sabe ao certo qual é o volume da chamada produção informal, oriunda de alambiques clandestinos, mas é pequeno, embora o número de produtores não registrados seja maioria. Nas estatísticas, geralmente é computado na coluna da cachaça artesanal, engarrada de alguns anos para cá com qualidade crescente e um ingrediente novo, definitivo: a sofisticação. A mardita é quase tão velha quanto o país. Envelheceram juntos, com muita espuma e pouco caldo. O brasileiro nunca valorizou sua terra, sua cultura, suas coisas e, muito menos, a bebida, vista por boa parte da população como mercadoria inferior. Porém, a conceituação mudou. Reconhecida e elogiada no exterior como produto de qualidade e sabor incomparáveis, vêm conquistando consumidores de alto poder aquisitivo em todo o território nacional.

Fonte: Globo Rural

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Cachaça religiosa 2

 

Texto Carlos Gutierrez e Paulo Soares
Fotos Kenji Honda

Linha de produção de bebidas da empresa L&D, com vários tipos de cachaça, rum e vodca

Com a matéria-prima sendo avalizada pelo rabino, a L&D precisava então adaptar-se ao modo de produção kasher. "Todos nossos tonéis de madeira são novos, uma exigência do rabino", diz Sônia Lisauskas, química responsável da fábrica. Um tonel usado no processo, porém, poderia conter resíduos de vinho, os quais entrariam em contato com as bebidas e a tornariam impróprias. O motivo da proibição é que o vinho só é permitido desde que um judeu praticante tivesse acompanhado o processo de produção.

Até mesmo as garrafas são novas e ainda assim lavadas ao chegarem na fábrica. "Essa preocupação em cumprir com as determinações da lei judaica aumenta a qualidade do produto, pois todo o processo é muito mais higiênico e rigoroso", diz Lisauskas.

No começo, uma das principais dificuldades que a empresa enfrentou foi armazenar nos tonéis de madeira. A maior parte das destilarias passa uma camada de gordura nesses recipientes, que contêm frestas e microaberturas, por onde a bebida acaba saindo. A prática impermeabiliza os tonéis, o que evita o desperdício. Mas tal procedimento não é permitido na produção kasher.

A solução encontrada pela L&D foi encher o tonel com a bebida sem vedá-lo. Durante pelo menos seis meses, a cachaça acaba vazando pelas frestas mas aos poucos a madeira absorve o líquido e se expande, fechando naturalmente as aberturas. "Há perda considerável, mas não tem outro jeito", afirma Lisauskas. Isso garante que a bebida se torne passível de ser consumida pela lei judaica, mas também preserva o sabor e o aroma. Depois de o rabino certificar a produção, visitas esporádicas são feitas, de surpresa, à fábrica para assegurar que tudo está em ordem.
Fonte: Globo Rural

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Cachaça religiosa

 

Empresa brasileira dá início à fabricação de bebidas tipo kasher, próprias para o consumo da comunidade judaica, e já começa a exportar para o canadá e países da Europa

Texto Carlos Gutierrez e Paulo Soares
Fotos Kenji Honda

Rabino Daniel Eskinazi, da entidade ortodoxa Beit Chabad: verificação de todos os passos da produção para conceder o certificado

O rabino Shabsi Alpern, uma das principais lideranças do judaísmo ortodoxo no Brasil, sempre imaginou a possibilidade de se fabricar uma cachaça que atendesse às exigências da lei de seu povo, ou seja, que fosse própria ao consumo da comunidade judaica. A idéia começou a se materializar seis anos atrás, quando um grupo de investidores procurou-o e manifestou o interesse em montar uma destilaria.

O rabino oncordou, mas ressaltou que os produtos deveriam ter qualidade para serem vendidos em qualquer lugar do mundo. Era o início da empresa L&D, e , com ela, a Canna Schnaps, a primeira cachaça kasher no mundo, fabricada em Atibaia, SP.

De maneira geral, as pessoas relacionam o termo kasher (palavra que significa propício, em hebraico) somente com a alimentação judaica, mas ele também é usado para denominar qualquer coisa que esteja apta às tradições e leis judaicas.

"Por exemplo, um pergaminho do livro sagrado que estiver com todos os detalhes e letras nós dizemos que está kasher, ou seja, adequado", diz o rabino Daniel Eskinazi, da entidade ortodoxa Beit Chabad. O diretor da instituição, o rabino Alpern, designou-o para fiscalizar todo o processo de produção da cachaça e das outras duas bebidas produzidas pela destilaria, vodca e rum. O objetivo foi para que tais produtos pudessem receber o certificado kasher.

Foi necessário verificar, segundo o rabino Eskinazi, todos os passos da produção da cachaça. Esse cuidado tem uma explicação. De acordo com os códigos da lei judaica, existem alguns alimentos que não podem ser consumidos pelos judeus. Por exemplo, eles só consomem carne de animais ruminantes e de casco fendido, como o boi e o carneiro; já a carne de porco é totalmente vetada, assim como os frutos do mar também são proibidos.

O álcool utilizado pela destilaria para a fabricação da cachaça é comprado de uma cooperativa e foi rigorosamente inspecionado pelo rabino Eskinazi.

"Visitei a plantação de cana-de-açúcar, acompanhei os caminhões que iam à usina, verifiquei até os bacilos usados no processo de fermentação." Depois, esse álcool é destilado em uma outra empresa, também visitada pelo rabino, que assegurou que lá não havia qualquer presença de alimentos não kasher.

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Alex Wichoski é jornalista por opção, formado em Turismo, onde trabalhou desde seus 15 anos no setor de hotelaria, sempre na cidade de Foz do Iguaçu. Atualmente é professos do Gerar, já escreveu para a CBN Foz e F24, além de produção de conteúdo sob encomenda para área de turismo.

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