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G1 jogou: '007 Legends' é repetitivo, traz enredo confuso e precário Destaque

G1 jogou: '007 Legends' é repetitivo, traz enredo confuso e precário
G1 jogou: '007 Legends' é repetitivo, traz enredo confuso e precário G1.globo.com

Multiplayer clássico é o único diferencial do jogo.
Game tem ação constante e modo de 'espião' é fraco.

Altieres Rohr Especial para o G1

"GoldenEye 007" marcou uma geração no Nintendo 64, em 1997. Em uma época em que jogos de tiro em consoles não tinham qualquer prestígio e em que jogar pela internet ainda não era nada prático, jogadores usavam as maiores TVs que conseguiam para dividir a tela em quatro, criando uma das experiências multijogador mais divertidas até então. "007 Legends" traz de "diferente" exatamente essa experiência multiplayer da década de 90 com tela dividida. E mais nada de bom.

A proposta de "007 Legends" é emendar, de alguma forma, seis filmes da série do agente James Bond para comemorar os 50 anos do personagem. Cada filme foi originalmente vivido por um ator diferente, mas, em "Legends", 007 é sempre Daniel Craig, que dá vida ao agente em "Operação Skyfall", o filme mais recente da série. A voz do personagem do game, entretanto, não é a de Craig, mas do ator Timothy Watson, que também fez vozes adicionais em “Assassin’s Creed III”. Watson também faz a voz do vilão Goldfinger, em “Legends”.

O jogo começa nos cenários de "007 contra Goldfinger", passando por "A Serviço Secreto de Sua Majestade", "Licença Para Matar", "Um Novo Dia para Morrer" e "007 contra o Foguete da Morte". "Operação Skyfall", que está disponível como conteúdo para download gratuito, é a fase final do jogo.

Todas as fases se passam nos dias atuais e Bond pode usar seu smartphone para hackear e tirar fotos. (Foto: Reprodução)
Todas as fases se passam nos dias atuais e Bond pode usar seu smartphone para hackear e tirar fotos.
(Foto: Reprodução)

Remendo
As histórias foram "coladas" de forma precária: por erro, Bond leva um tiro de uma atiradora de elite, cai de uma ponte de um trem em movimento e, enquanto se afoga na água, começa a "lembrar" o passado. O jogador não é informado de nenhum contexto sobre as fases, e até fãs do agente secreto podem ficar confusos com algumas "liberdades" tomadas pelo jogo na releitura dos filmes.

Muitos dos rostos dos personagens serão conhecidos, mas a qualidade gráfica deixa a desejar. Só as armas têm qualquer ar de realismo; o resto parece feito de plástico. A dublagem é no máximo mediana, mas as músicas cumprem bem o papel, embora também não sejam motivos de orgulho.

Como tudo se passa nos dias atuais, Bond estará constantemente usando seu smartphone para tirar fotos enquanto burla travas eletrônicas sofisticadas, realizando "hacking" via Wi-Fi. O tradicional relógio, por sua vez, emite um pulso eletromagnético capaz de desativar câmeras de segurança, mesmo quando elas estiverem a distâncias consideráveis. O relógio também consegue detectar e indicar a posição de inimigos (exceto quando o jogo não quer que você os perceba).

As falas e a história pouco têm a ver com que acontece na tela. Se o jogador frequentemente ouve que deve evitar causar problemas ou ser detectado, normalmente a primeira ação depois disso é acertar a cabeça de um inimigo. Preferencialmente com uma metralhadora sem silenciador.

Ainda assim, talvez a "licença" mais dolorida tirada pelo jogo foi deixar Bond, em determinado momento, se apresentar simplesmente como "James Bond". O que aconteceu com "Bond, James Bond"?

Tiroteio frenético e mesmice
"007 Legends" não parece um jogo de espionagem na maior parte do tempo. Quando não está mais para um clone tosco de "Call of Duty", a troca de tiros é tão constante que traz o clima de um filme do Silvester Stallone ou do Chuck Norris. Você até vai utilizar uma metralhadora giratória, montada em um helicóptero, para matar incontáveis soldados inimigos, e lança-mísseis para destruir tanques que atiram lasers e helicópteros.

Cadeados não são abertos com chaves ou cuidadosamente com um laser do relógio. Nesse jogo, é mais fácil um tiro de pistola silenciada. A falta de refinamento também atinge os inimigos, que não são lá muito inteligentes: eles às vezes ficam correndo contra a parede, sabe-se lá por quê.

Quando James Bond luta com um inimigo, basta pressionar o botão que aparece na tela. (Foto: Reprodução)
Quando James Bond luta com um inimigo, basta pressionar o botão que aparece na tela. (Foto: Reprodução)


O jogo tem um modo "stealth", em que Bond pode passar despercebido pelos inimigos de uma área. No entanto, o modo não funciona bem. Não existe maneira de mover o corpo de um inimigo morto, de modo que suas opções são mínimas, já que alguns inimigos sempre verão quando outros soldados forem abatidos. Se você souber o "caminho certo" para passar pela área, vai ser muito fácil. Se não souber, basta ser visto uma única vez para voltar ao tiroteio. E ser visto é bem fácil, já que não há como ter uma boa noção do ângulo de visão dos inimigos.

Chefes são sempre enfrentados em um minijogo de luta, em que basta apertar um botão no momento indicado para vencer. O jogo de luta também tem um comando para se esquivar dos golpes, mas ele nunca é necessário (exceto quando o jogo obrigá-lo, o que só acontece quando o inimigo usa alguma arma como porrete). Basta socar o inimigo rapidamente e nunca será preciso desviar de nenhum golpe.

O jogo também tenta dar uma diferenciada quando Bond pilota algum veículo, mas essas fases são muito curtas - o que não é um problema grande, já que os controles são tão ruins que, se fossem mais longas, seriam apenas mais irritantes.

Controle dos veículos de Bond é ruim e fases são curtas. (Foto: Reprodução)
Controle dos veículos de Bond é ruim e fases são curtas. (Foto: Reprodução)


Todas as fases têm mais ou menos a mesma sequência de eventos, e a campanha não deve durar mais que cinco horas para alguém que já conhece jogos de tiro. Restará apenas a caça às conquistas e troféus, ou o multiplayer on-line ou em tela dividida, sendo que este último vem como único diferencial deste jogo. Claro, para quem tem o "GoldenEye 007: Reloaded", nem isso é novidade.

É possível colocar melhorias nas armas, como silenciadores, miras a laser e lunetas, além de "módulos" que deixam o personagem mais forte. O jogo também pode ser jogado com o modo clássico de vida, que requer que o jogador encontre medicamentos e coletes pela fase, ou no modo "moderno", em que o personagem recupera suas forças automaticamente com o tempo.

São diferenças tão mínimas que é perfeitamente possível jogar sem nem se preocupar com elas - e de modo algum é suficiente para tirar o game da mediocridade.

Capa de '007 Legends'. (Foto: Divulgação)Capa de '007 Legends'. (Foto: Divulgação)

"007 Legends"
Plataformas: Playstation 3 (versão testada), Xbox 360, PC (Windows) e Wii U
Produção: Activision
Desenvolvimento: Eurocom
Jogadores: 1 a 4 (off-line), até 12 (online)
Classificação indicativa: 13 anos (ESRB), 16 anos (PEGI)

Prós: Multiplayer off-line com tela dividida.

Contras: Campanha repetitiva, modo de "espião" ruim, história desconexa e pouco fiel aos filmes.

Última modificação emSegunda, 06 Maio 2013 23:54

Informações adicionais

  • Descrição geral:


Alex Wichoski

Website.: blog.igubr.com.br/alex-wichoski.html E-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Mídia

007 Legend Youtube

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IguBR

Alex Wichoski é jornalista por opção, formado em Turismo, onde trabalhou desde seus 15 anos no setor de hotelaria, sempre na cidade de Foz do Iguaçu. Atualmente é professos do Gerar, já escreveu para a CBN Foz e F24, além de produção de conteúdo sob encomenda para área de turismo.

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